Literatura

2016, um ano junto dos leitores

Sempre acreditei que a tríade da prosperidade profissional é:

  1. Trabalho relevante e de qualidade.
  2. Compartilhamento dos conhecimentos e vivências.
  3. Relacionamentos.

E só com a sintonia perfeita entre esses três requisitos podemos desenvolver a nossa carreira com excelência.

Quando nos propomos a iniciar um projeto, temos que sempre pensar em oferecer qualidade para quem interage com ele: os nossos parceiros, clientes, leitores, ouvintes etc. Em um mundo de excessos, no qual todas as áreas estão saturadas, só conseguimos nos destacar quando pensamos, planejamos e executamos o nosso melhor, afinal, só com respeito que se conquista o respeito, certo?

Depois de aprendermos com os nossos erros e acertos, de termos testado iniciativas de sucesso (e fracassadas, claro), compartilhar conhecimentos e vivências é muito interessante, afinal, a informação trancafiada apodrece.

Todos nós aprendemos algo com alguém. Todos nós tivemos mestres, exemplos ou pessoas que nos deram dicas pontuais valiosíssimas para solucionar algum problema. O conhecimento é um ciclo: somos professores e alunos simultaneamente.

Já fui muito criticado por dar o ouro para as pessoas, por apresentar conteúdos que poderiam ser usados por concorrentes e blá blá blá…

Mas, pensa comigo: quem tem tantos medos e receios não confia na sua expertise e habilidades, não é? Pois é…

Por fim, o terceiro ponto é o dos relacionamentos interpessoais. Interagir com seus parceiros, colaboradores, clientes, leitores e afins, é importantíssimo para construir uma jornada conjunta. Uma relação verdadeira, de reciprocidade e, acima de tudo, de confiança.

Ah, que puta utopia, Eduardo! (sim, eu também já ouvi isso algumas vezes…). Continuemos, pois esse é o foco dessa conversa.

Um ano com pessoas

Vou deixar aqui um pequeno testemunho do que vi e vivi durante 2016 na literatura. Pequeno porque seria impossível retratar em poucas – ou, melhor, não importa a quantidade – linhas os sentimentos e sensações vividos esse ano.

Bienal, Primavera dos Livros, Anime Friends, CCXP, eventos grandes, médios, pequenos, minúsculos. Lotados ou vazios. Participei de muitos eventos em 2016, junto com a Editora Draco, ou com amigos ou solo.

Foi um ano com pessoas. De muitas conversas, autógrafos, fotos, risadas e emoções.

Foi um ano de apresentar o meu trabalho para os novos leitores e de abraçar os antigos.

Foi um ano em que 10-12 horas num estande passavam num piscar de olhos, de tão gostoso o contato com o público. Os pés e a coluna ficavam arregaçados, mas a sensação de missão cumprida compensava tudo! E, claro, um relaxante muscular no final do dia, também se fazia necessário. Ah que saudades dos meus vinte anos!

Sorri ao ver a empolgação das pessoas por conhecerem um autor nacional que escreve fantasia histórica medieval. Agradeci imensamente quem comprava O Andarilho das Sombras ou o Deuses Esquecidos para experimentar o meu trabalho (muitos entraram em contado depois para comprar os demais autografados!). Vibrei quando outros já levavam a Série Tempos de Sangue completa, ou vinham, ansiosamente, buscar os livros que faltavam.

Me entristeci quando pessoas esnobavam o trabalho por ser de um brasileiro – nem tudo são flores, apesar de ser a minoria.

E fiquei bem satisfeito quando, ao descobrir que os leitores não curtiam meu estilo, conseguia indicar livros de amigos que atendiam as preferências.

Ana Lúcia Merege, Antonio Luiz M. C. Costa, Diego Guerra e J. M. Beraldo para quem curtia alta fantasia.

Karen Alvares, Luiza Salazar, Vivianne Fair e Kássia Monteiro para quem gosta de mistérios, aventura e literatura YA.

Cirilo S. Lemos e Melissa de Sá para quem curte uma distopia de primeira linha.

O chick-lit da Jaqueline de Marco e da Fabiana Madruga.

Gerson Lodi-Ribeiro, Roberto de Souza Causo, Carlos Orsi, Alexey Dodsworth e Flávio Medeiros Jr. para os leitores de FC e do “Mundo Punk”.

Olivia Maia e Ivan Mizanzuk para os aficionados pelos policiais.

Dana Guedes e Priscilla Matsumoto para quem pira num erotismo bem escrito.

Os quadrinhos para o público que preferia viajar nas histórias ilustradas, as coletâneas para quem queria degustar um pouquinho de vários escritores.

Isso para citar somente alguns, pois eu parecia vendedor do shoptime: adorava apresentar um ou mais livros que agradavam o paladar do leitor.

No mundo virtual

Outro fator muito interessante foi o aumento expressivo dos contatos que tenho recebido, seja nas redes sociais ou pelos meus sites.

São pessoas compartilhando suas experiências, contando seus sentimentos, criticando ou elogiando as histórias. A escrita, apesar de ser finalizada quando o livro é publicado, não é algo morto: sempre gera movimento. E isso é lindo!

Me amam por tal desfecho. Me xingam por ter matado algum personagem. Contam que riram no metrô com alguma cena. Ou que choraram na sala de espera do médico ao final de um capítulo.

Ouvi de tudo e pude sentir que eu estava no caminho certo: alma, mente e vontade são da escrita!

Pois é, foi uma jornada gostosa.

Que só reafirmou a minha certeza: um escritor precisa estar com o público. Pessoalmente, virtualmente, de todas as formas.

Até breve e muito obrigado por tudo!

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