Comemore, meu amor, enquanto você pode!

A moça encheu a caneca vazia em um dos barris de cervejas que estavam perto da igreja e bebeu tão rápido quanto antes.

– Vamos comer essa carne lá em casa! – falou com a voz mole. – Logo começarão as brigas e um sujeito magro e delicado como você não conseguiria se defender!

Não respondi, somente escorei a moça cambaleante até sua casa de madeira escurecida que ficava à beira do rio Lauder, mas em um lado oposto do moinho onde eu estava. Ela não estava completamente bêbada, mas suficientemente alta. E isso facilitaria as coisas.

– Meus irmãos vão ficar na festa. E vão dormir lá mesmo no chão, como bichos amontoados uns sobre os outros. Voltarão somente amanhã, com a cabeça dolorida e alguns dentes quebrados!

Ela jogou a carne sobre um prato de barro vermelho.

– Gostaria de um pouco de vinho de amoras? – falou sorrindo.

– Estou bem. Já bebi muito por essa noite!

– Nunca vi um homem dizer que já bebeu demais! – falou torcendo o nariz.

Ela colocou um pouco da bebida para si, pegou uma faca curta e começou a fatiar a carne em pedaços grossos.

– Ai, merda! – gritou largando a faca – Cortei o dedo!

Peguei sua mão e suguei o sangue, um néctar adocicado com um suave sabor de álcool.

– Ei! Não precisa esvaziar todo o meu dedo agora! – puxou a mão.

– É um costume na minha terra fazer isso até o sangue parar de pingar – respondi.

– Então sua terra é bem estranha! – falou enquanto enrolava o dedo na barra da saia.

Pude ver, um pouco acima dos joelhos, o par de coxas brancas e roliças, sem manchas ou marcas. Ela percebeu meu olhar e, com certa malícia, sorriu. Abracei-a por trás e comecei a beijar seu pescoço, acariciando seus cabelos.

Ela gemeu.

Afrouxei lentamente as cordas finas que prendiam a frente do seu vestido, até deixá-lo solto o bastante para, com um pequeno gesto, despi-la totalmente.

– Você é bom nisso! Qual é o seu nome mesmo? – perguntou a garota, enquanto empurrava o vestido verde com os pés.

– Harold Stonecross – sussurrei no seu ouvido.

– Parece um nome importante – virou-se e acariciou os meus lábios. – E você tem todos os dentes! Tão brancos!

– Um privilégio pelo qual agradeço todos os dias – mordisquei sua orelha.

Peguei-a no colo e deitei-a sobre uma cama simples, com um saco grosso cheio de palha e lã servindo de colchão. Ela tirou minha camisa e tocou com as mãos quentes no meu peito.

– Você está tão frio…

– Aproveite a noite, minha cara. Não diga nada – disse ao beijar seus lábios avermelhados.

Seu corpo foi tomado por leves tremores. Os bicos dos seios ficaram rígidos enquanto eu os lambia suavemente com a ponta da língua. Podia sentir que ela esfregava vigorosamente as pernas uma nas outras, dedilhando os pelos encaracolados na sua intimidade.

Suas inspirações eram curtas e rápidas, feitas pelos lábios entreabertos. Estava em um êxtase intenso e eu sentia o cheiro do desejo exalado por cada um dos seus poros úmidos. Desci com a língua pela sua barriga magra. Senti os pelos eriçados e o sangue cada vez mais perto da pele macia.

Apalpei com força o seu peito, enquanto mordiscava devagar ao redor do umbigo suado. Percebi que ela empurrava a minha cabeça para baixo e, sem hesitar, obedeci.

– Isso! Assim! – gemia, com a voz aguda – Ai, meu Deus! Meu Deus!

Então eu mordi sua coxa, bem perto da virilha, o sangue escorreu obediente e eu o suguei devagar, apreciando cada gole. A garota ria, ria alto, apertando cada vez mais a minha cabeça contra o seu corpo. Ela não se continha de satisfação e eu me deleitava em seu sangue.

Bebi por um longo tempo e ela teve o prazer mais longo da sua vida.

Estava morta, mas parecia dormir. Parecia sonhar com coisas boas, pois seu semblante era suave. Seria um sorriso nos seus lábios? Talvez.

Dizem que os santos vislumbraram a verdadeira felicidade no instante da morte. O instante onde tudo é perfeito e magnífico. Eles devem ter gozado no derradeiro momento…

Peguei a garota e vesti-a novamente. Saí da casa com ela nos braços e fui em direção ao moinho. Precisava me livrar do corpo, pois pretendia ficar algum tempo na aldeia e não queria alardes sobre um assassinato.

– O que aconteceu com a moça? – perguntou um velho ao cruzar meu caminho.

– Bebeu um pouco demais – falei sorrindo.

– Todos nós! Todos nós – soltou uma gargalhada.

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