O beijo de Rudra

o beijo de rudraNestes milhares de anos, perdi a conta de quantas vezes meus pés cruzaram a Terra. Não tendo um lugar para ir, peregrinei por quase todos os reinos, vi as cidades dos negros e dos amarelos, os pilares de Melkart e a grande esfinge que contempla a planície. Voltei a Kukkutarma, que encontrei vazia, exceto, curiosamente, pelos corpos retorcidos e duros dos que haviam sido mortos pelo disparo de Rudra. Quanto ao próprio deus, também o encontrei muitas vezes, em cemitérios, no campo aberto, nos templos que os Filhos do Carneiro passaram a construir para adorá-lo. Era como o imaginavam, ou talvez tenha escolhido se mostrar assim para alguns deles. O touro, porém, foi real a partir de um dado momento, assim como a serpente que passou a se enroscar em seu pescoço azulado. Eu os vi em sua morada no Kailasa, e vi a mulher com o colar de crânios, e a criança brincalhona para quem os devotos inventaram uma cabeça de elefante. Todos são deuses poderosos, mas nem eles, nem qualquer outro que eu tenha conhecido em minhas andanças pôde me dar a resposta de que preciso.

E foi então que ouvi falar de alguém, não um deus, mas um sábio iluminado, que dizia haver um caminho para escapar à roda de nascimentos e mortes.

Foi esse último fio de esperança que me trouxe aqui.

Conto de Ana Lúcia Merege, autora de O Castelo das Águias. Uma participação especial para a série Tempos de Sangue de Eduardo Kasse, autor brasileiro que vem despontando pelo trabalho de ficção histórica misturada ao mito dos vampiros.

No Vale do Indo, há 4.000 anos, a jovem Gauri recebe de um deus a incumbência de salvar sua cidade. No entanto, a intolerância dos anciãos pode obrigá-la a um perigoso jogo entre a morte e a vida eterna.

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