Cotidiano

Sucos e afins (a felicidade monetária e consumista)

Algo está muito errado com a humanidade e a maior prova disso são aqueles sucos em pó. Sim, aqueles misturados à 1 litro de água até formar uma refrescante bebida artificial.

Esse produto, junto com as comidas congeladas e industrializadas mostra perfeitamente a degradação da qualidade de vida da sociedade. Não há tempo ou ânimo para espremer uma fruta verdadeira e apreciar o seu néctar. E pior ainda: a deliciosa experiência de se sentar embaixo de um pé de fruta e apreciar os perfeitos proventos das árvores, principalmente nas grandes cidades, é algo inimaginável.

“De onde vem as bananas, filho?” “Do mercado, mamãe!” – Pobres criancinhas cosmopolitas…

E de quem é a culpa?

Nossa. Exclusivamente nossa.

Com nossos olhos, ouvidos, narizes, bocas, braços e pernas capitalistas esquecemos do principal: viver.

Estamos atados à uma felicidade monetária e consumista.

Presos à uma ilusão degenerativa. Corremos e não saímos do lugar, como nas esteiras das academias. E a única brisa que nos refresca é a dos ventiladores e se muito, para os mais afortunados, a dos ares condicionados.

A felicidade é esquecida nos recônditos da nossa alma em troca de um cargo, de um salário maior, de um pouco de status.

Sim, algo está muito errado…

Por isso, desde agora, parei com os suquinhos em pó. Quero mudar de vida! Vou até a venda da esquina comprar um suco de uva em caixinha com o meu cartão de crédito, para depois saboreá-lo enquanto me divirto em uma gostosa pescaria no videogame junto com os meus amigos virtuais.

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