Cotidiano

Prédios que desmoronam, sociedades que ruem, expectadores cobertos de pó

fukushimaAntes de tudo, pare, respire fundo e reflita: com o passar dos anos, o mundo está pior ou melhor?

Peço, por favor, que desconsidere a evolução financeira – merecida para quem trabalha –, foque-se nos aspectos mais gerais que o cercam.

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Eu também fiz esse exercício e a minha conclusão é de que estamos ladeira abaixo. Podia citar centenas de fatos, usar dezenas de teorias, apresentar várias visões, entretanto, isso está mais para uma tese de mestrado, então, sintetizei esse post em três cenários.

1º cenário: são as “corporações” que mandam no mundo

E as corporações não são somente as empresariais, mas também as elites políticas e financeiras. Infelizmente tudo o que acontece é planejado por elas ou com o aval delas. Seja na área da saúde – os absurdos que muitas indústrias cometem são repugnantes –, no mercado financeiro e nos padrões de sociedade, tudo é bem pensando para manter a segregação. E isso não é teoria da conspiração, tampouco acontece somente no Brasil. A sujeira já contaminou o mundo.

Eles promovem constante estado de alienação, do consumo pelo status não pela necessidade e tratam as pessoas como rebanhos. E infelizmente poucos percebem esses direcionamentos e quem tenta lutar contra o tal “sistema” é taxado de baderneiro, reacionário, louco, criminoso. Leia os jornais – ou será melhor não lê-los? – e comece a absorver as notícias sob esse panorama. Sad but true.

2º cenário: ou mudamos a forma de interagir com o planeta ou… Será que ainda dá tempo?

Quantos governos e empresas têm planejamento ambiental sério? O que vemos por aí são microações altamente marketeadas. Plantam meia dúzia de mudas e bradam que reflorestaram uma área. As construtoras colocam uns vasos na frente dos empreendimentos e já se dizem Eco Friendly, enquanto isso o concreto, a poluição e as ocupações desordenadas correm soltos.

Cada um deve fazer a sua parte. Precisa mesmo, entretanto, sem ações de grande escala não teremos resultados efetivos. E o interessante é que as pessoas já não sabem mais o que é viver, apenas sobreviver.

Áreas verdes são artigo de luxo. E a degradação ambiental retrata fielmente a degradação do espírito das pessoas – nada a ver com o conceito religioso de alma, ok? -, da mentalidade e da visão de médio prazo.

Crianças com narizes colados em tablets, enquanto os pais trabalham 12 horas por dia para dar conforto para elas, ou melhor, entulha-las mais dispositivos digitais. Não tenho filhos, mas tenho a certeza de que não é isso que desejo para eles.

A ideia de prosperidade está muito atrelada ao ter. Ser é coisa de hippie e monge budista.

3º cenário: Fukushima

Fukushima?

Sim, Fukushima.

O complexo nuclear está descontrolado, vazando toneladas de litros de água altamente contaminada para o mar, solo e aspergindo partículas radioativas no ar.

Crianças, jovens, velhos… Muitos estão morrendo por lá. E alguém ouve alguma nota sobre isso nos noticiários? Algum comunicador já falou com sinceridade sobre o real problema? Acredito que não.

Tudo está bem, a informação foi blindada. Já os vazamentos…

O Japão é do outro lado do mundo… Sim, mas estamos todos dentro dessa mesma esfera e, cedo ou tarde, as coisas vão piorar – ainda mais – por aqui.

Se Chernobyl já foi grave, multiplique esse desastre por 10, uns dizem 100, 1000, enfim.

E tudo por causa do dinheiro e do nosso maravilhoso way of life.

Usei como exemplo essa usina, mas temos as de carvão, gás natural…

Assim, termino o meu protesto, indignado com prédios que desmoronam, sociedades que ruem, enquanto nós, expectadores passivos estamos cobertos de pó, olhos ardendo e lacrimejando, embaçados para não poder enxergar a verdade.

Fatalista demais?

Fique a vontade para comentar. E espero que isso que relatei seja realmente um exagero.

Até mais!

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