Literatura

Nem tudo está perdido

Quando eu decidi me tornar um escritor, não o fiz pelo status, pelo glamour ou pelos holofotes (que nem são tão fortes aqui no Brasil. Há tempos em que a luz que temos é parca como a de uma vela). Fiz para poder contar histórias e me comunicar com os leitores.

Para tal, mesmo sem ter qualquer certeza se poderia me manter com as minhas palavras, principalmente no início, sempre encarei a escrita como uma profissão, como uma carreira que requer muito estudo, pesquisa e qualidade, afinal, se alguém se dispôs a investir dinheiro e tempo no meu trabalho, merece ler algo de qualidade.

E assim, depois de seis livros solos publicados, diversos contos e um quadrinho, depois de ter sido lido por centenas de milhares de pessoas (não é exagero, você sabe que se tem algo que levo muito a sério quando escrevo meus posts é a veracidade das informações), continuo pensando e agindo da mesma forma: com respeito integral aos leitores, aos meus colegas e às carreiras de todos os profissionais dos livros.

Um mercado só se fortalece e cresce quando há players de valor atuando nele.

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro – Henry David Thoreau

Eventos

Em 2017, instigado pelo Raphael Fernandes e com o irrestrito apoio do Erick Sama, iniciei uma maratona de eventos. Já havia feito alguns nos anos anteriores, mas nos dois últimos anos engatei quinta marcha e segui acelerado.

E tem sido ótimo! Cansativo, mas gratificante.

Quando posso estar com o público, mostrar o meu trabalho – e também os dos meus colegas, quando vou representando a Editora Draco – sempre há uma interação bem legal. Nem sempre resulta em vendas, mas quando um leitor conhece livros e quadrinhos maneiros, quando entende que há profissionais brasileiros fazendo um trampo com identidade e originalidade já é um belo ganho.

Muitos se admiram e logo pedem autógrafos. Outros querem saber mais sobre as histórias, sobre a pegada do autor. Há aqueles que não se interessam logo de cara, mas voltam depois. E também há aqueles que já conhecem o trabalho e sempre vêm prestigiar, completar suas coleções.

Claro que há momentos desgastantes, que sintetizarei em três frases recorrentes que costumo ouvir, apenas três para não tirar a boa energia desse post:

  1. É de autor brasileiro? Não leio nada nacional.
  2. Tem PDF na internet? —- Ou a variação disso, que tenho ouvido e visto muito: Acabei de tirar a foto da capa e baixei o PDF!
  3. Nossa que caro! Prefiro comprar xxxxxx: mais barato e melhor!

Não vou me prolongar nessa parte, mas essas frases – e suas variantes – são constantes nos eventos. No começo eu até me emputecia, mas agora prefiro relevar e seguir com um sorriso no rosto para valorizar aqueles que se interessam de verdade.

E esses casos são bem legais! Gente que compra para conhecer, curte e depois entra em contato comigo compartilhando suas experiências. Outros curtem tanto que compram mais livros meus, seja pelo meu site, nas livrarias ou nos próximos eventos em que me encontram. Gostoso demais.

E assim como eu, há um exército de profissionais que trabalham com excelência, ralam para produzir seus livros e seus quadrinhos e ralam ainda mais nos Artist’s Alley desse Brasilsão. De certa forma, todos nós abrimos portas: mostramos que há trabalhos muito bons sendo produzidos aqui.

A literatura é um assunto sério para um país, pois é afinal de contas o seu rosto – Louis Aragon

É isso aí!

Obrigado por tudo. Sou muito grato pelo carinho e respeito pelo meu trabalho.

 

Vamos que vamos!

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