Muitos autores preferem escrever em terceira pessoa ou mesmo ter suas histórias contadas por outras pessoas. Eu escolhi conversar com você, como faríamos pessoalmente, afinal, se você chegou até aqui, é porque há essa vontade de me conhecer um pouco melhor, não é?

Não vou começar falando do meu livro mais recente, O Despertar da Fúriaapesar dele ser importantíssimo e muito estimado.

Prefiro voltar um pouco no tempo e contar a trajetória que me levou a ser o que sou.

Então, vamos juntos nessa jornada?

Primeiros passos

Não sei precisar quando me enxerguei como escritor.

Nunca tive um “estalo” ou alguma experiência epifânica – apesar de receber, por diversas vezes, inspiração dos deuses. Não houve “o” momento de iluminação.

Eu sempre gostei de escrever, de expressar minhas ideias no papel, criar meus mundos, lutar contra meus medos e ir além.

E isso se deve – muito mesmo – a minha personalidade de leitor incisivo. Desde a minha alfabetização, nunca me vi longe dos escritos. Gibis, contos de fadas, aventuras, tudo era degustado com a voracidade infantil.

Minha mãe, Sônia Kasse, educadora competentíssima, muito me estimulou. Sempre voltava para casa com algum livrinho ou revista de presente.

Ganhar um livro é – e sempre será – um momento de extrema alegria.

A transição do leitor para o escritor foi algo natural, uma evolução gradativa, na qual eu buscava conhecimentos, errava, acertava, aprimorava minhas técnicas e tinha imensa vontade de criar.

Comecei com os poemas. Amor, cotidiano, críticas, ironias, sentimentos puros e crus eram transcritos em versos rápidos e sem muita preocupação com formas e métricas. Eu queria escancarar a minha alma – e essa não tem forma, é um turbilhão de tudo e nada.

Assim, registrei meus primeiros livros na Biblioteca Nacional e tive o prazer de ter a obra Enquanto o Sol se põe lançada em 2002.

Mas, minhas mãos e minha mente não trabalharam solitárias, tive muito apoio da família, amigos e principalmente de Estela, hoje minha esposa. Na verdade, ela foi a peça perfeita que faltava nessa engrenagem.

Tive um bom retorno com a poesia e até hoje – com menos frequência – ainda escrevo nesse estilo.

Palavras adormecidas

Era 2003. Último ano do curso de Análise de Sistemas na FATEC-SP. Minha carreira de desenvolvedor web no início – com muitos percalços, tropeços e tombos, pois escolhi ser empreendedor e prestador de serviços, ao invés de ir para o caminho mais estável da CLT – projetos minguados, mas muito importantes para dar o primeiro pontapé.

Paralelamente, tentava lançar outro livro de poesias, Retratos Urbanos. Tive boas análises, ótimos comentários, mas nada concreto. Não houve a explosão, apenas fogos de artifício.

Esses livros estão guardados com carinho, esperando o momento certo para criar asas.

2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009… Dediquei todos esses anos ao trabalho com TI. Consegui muitos clientes, fiz ótimos projetos e acima de tudo, conquistei amizades verdadeiras.

Continuei escrevendo, mas agora os assuntos eram baseados no meu conhecimento profissionalapesar de ser formado em análise de sistemas, nunca escrevi um artigo técnico, sempre preferi falar sobre carreira, equipes, boas práticas, empreendedorismo.

Mas, as ondas da nossa alma nunca param de se movimentar. E um grande maremoto aconteceu na minha…

Caminhos sinuosos: quando o medo da luz cega os olhos

Eu tinha uma rotina estressante, 12, 13 até mesmo 15 horas por dia sentado à frente do computador. Se por um lado as compensações financeiras eram boas, por outro eu estava descontente, pois não gerava mais diferenciais, tudo era muito mecânico.

Queria mudar, queria dar uma guinada na minha vida profissional. Mas, o “pseudo-conforto” que eu havia garantido era forte demais, puxava-me de volta sempre que eu tentava um passo além da mesmice.

Então, para o bem ou para o mal, meu espírito resmungou e meu cérebro comprou a briga: pânico no meio da Rodovia Anchieta.

Estela e eu voltávamos de um dia muito gostoso em um sítio de uma amiga dela. Era umas 20h. Praticamente não havia trânsito. Ouvíamos Welcome to the jungle do Guns n’ Roses.

Tudo aparentemente normal.

Então do nada, as luzes dos faróis dos carros no sentido contrário começaram a me incomodar, comecei a ficar tenso, coração disparado, mãos suando, ofegante. Parei de guiar direito, apenas segurava o volante com força e seguia.

Desespero, medo, pânico…

Mas, anjos existem e o meu estava ao meu lado.

Estela me acalmou aos poucos e eu retomei o controle da situação, por sorte, como eu disse, o trânsito estava tranquilo e pudemos chegar em casa com segurança.

Não basta seguir a luz, é preciso irradiar por si próprio

Não foi de uma hora para outra, nem em uma semana, um mês, mas demorou quase um ano.

2010. Depois da fatídica noite em 2009, resolvi dar um basta, parar de me enganar – sim, o conforto era ilusório – e buscar a felicidade na carreira.

Mas como?

A resposta não foi fácil de encontrar e as ações para essas se materializarem tampouco.

Depois de muita análise e horas sem sono, encontrei o modelo que eu precisava: unir meu conhecimento adquirido durante todos os anos como profissional de TI e minhas habilidades de escritor.

Bingo!

Muitos clientes, além de solicitar a criação dos projetos online, pediam-me para estruturar seus conteúdos e as estratégias de informação. No começo, eu não tinha segurança suficiente para isso, mas depois, aceitei o desafio.

Hoje, minha carreira segue o caminho das palavras. Com artigos e conteúdos exclusivos para os clientes. Tornei-me o analista de conteúdo/editor que tanto sonhara.

Mas, faltavam as palavras interiores…

Faltava um pouco de romance na minha carreira. Então, comecei a escrevê-lo.

Quando decidi começar o livro, toda a base da história estava na minha cabeça, fui, assim, fazer as pesquisas necessárias, ler referências, estudar. Sim, um romance vai além da simples criatividade e imaginação.

Então, depois de seis meses de dedicação quase diária, o livro O Andarilho das Sombras estava “pronto”. E essa foi a etapa mais fácil.

Das sombras para a luz

Conhecimento trancafiado é conhecimento perdido, assim como um livro na gaveta não passa de uma pilha de papel. Simples assim.

E o meu romance estava criando teias de aranha. Alguns fatores atravancaram um pouco o seu lançamento:

  • Falta de tempo para me dedicar às prospecções e contatos;
  • Muitos “editores” picaretas, que só se importam com o lado comercial do livro;
  • Por ser um livro que foge dos “padrões enlatados”, tive um leque pequeno de opções.

Mas, todas as dificuldades nos ajudam na nossa evolução. E o importante é que aprendi bastante com essas experiências. E, sendo o destino inexorável, esse delay acabou sendo algo bom.

Depois de quase perder as esperanças e achar-me uma fraude – sim, um escritor sem livro, não é nada (é duro, mas esse foi meu pensamento recorrente por muito tempo) – consegui encontrar a editora certa.

2011, o ano do despertar

Depois de alguns meses de conversas, chega dezembro de 2011, dia da final do Campeonato Brasileiro – eu estava imensamente feliz, apesar do meu time sequer despontar entre os oito primeiros – contrato assinado com a Editora Draco.

Mas, deixe-me voltar um pouquinho…

Seria um crime inafiançável eu deixar de agradecer duas pessoas muito importantes nessa etapa: o também editor Cristian Fernandes, uma pessoa iluminada que me ajudou a direcionar minhas ações e me colocou em contato com o ótimo autor Tibor Moricz com quem tive ótimas conversas, “enchi o saco” e tornei-me um grande apreciador do seu estilo literário, principalmente do livro O Peregrino.

Foi o Tibor que me apresentou ao manager da Editora Draco, o competente editor Erick Santos Cardoso (Erick Sama) que abraçou O Andarilho das Sombras e novos projetos, sob o selo “Tempos de Sangue”.

E, para finalizar, uma pessoa que merece todos os agradecimentos e meu imenso respeito é o Antonio Luiz Mc Costa, editor de internacional do CartaCapital e também escritor de ficção científica. Suas análises impressionantes e comentários “além da imaginação” me ajudaram a corrigir imprecisões e evoluir ainda mais o enredo.

Agora, voltando ao dia 04/12/2011…

Encontrei-me com Erick e pactuamos nossa parceria – prometi um dos meus rins para ele e talvez o baço.

E terminei o ano com chave de ouro.

2012, o ano do dragão

É interessante: 2012 foi o #AnodoDragão e isso certamente foi um bom presságio para a Draco e para mim, como seu autor.

Mas, não há bons augúrios sem trabalho duro…

Então, prosseguiram as revisões finais, a criação da capa, o lançamento e tudo mais que envolve o universo do livro.

As palavras preencheram novamente a minha vida.

2013, um livro sendo escrito

O ano começou bem, bons frutos sendo colhidos devido ao O Andarilho das Sombras, boas perspectivas e ótimas interações com os leitores e outros escritores.

Mas, não podemos parar no tempo. E o segundo livro da série Tempos de Sangue, Deuses Esquecidos, foi lançado o público pôde conhecer mais um imortal, Alessio di Ettore com sua visão cristão do mundo, suas dores, medos e culpas.

Foi uma “aposta arriscada” deixar o Harold Stonecross dormindo um pouco, afinal ele era querido demais pelo público. Contudo, eu precisava fazer isso! Tinha que trabalhar essa dualidade para poder prosseguir com a série.

Ainda bem que o resultado foi muito bom. Os leitores aprovaram e esse é o melhor prêmio para qualquer autor.

2013 foi um ano realmente bom.

2014: o ano da consolidação

Não posso dizer que já sou um escritor consagrado.

Tampouco “famoso”. Porém, a cada dia, a minha carreira se consolida e ganha relevância. Sei que meus leitores e parceiros escritores me respeitam e acham relevantes os conteúdos que compartilho.

É o começo da consolidação e da criação de uma marca memorável.

Mas como eu disse, é apenas o começo.

Ainda há muito a ser construído, aprendido e conquistado.

Você continua comigo nessa jornada?

2015: meio a meio

Pela primeira vez desde que retomei a minha carreira literária, tive um ano cujo trabalho com a literatura ganhou o mesmo peso da minha atuação como produtor de conteúdo.

Em 2015 as minhas atividades profissionais se equilibraram e o trabalho de escrever fantasia histórica e soluções para os clientes alcançaram o mesmo patamar.

Participei de muitos eventos, dei palestras, conversei com as pessoas, interagi com os leitores, troquei muitas experiências e sorri, sorri muito com todo o apoio e boas energias que tive. E percebi: escrever não é um trabalho solitário, longe disso! É algo vivo que cria sentimentos e sensações, que aproxima indivíduos e mundos.

2015 foi um ano de muitas conquistas, de muito trabalho duro e de escolhas.

2016: eventos e mais eventos!

Livro - Ruínas na Alvorada2016 foi um ano para ficar ao lado das pessoas. De reencontrar amigos, leitores, parceiros. De conhecer gente nova.

Participei de muitos eventos junto com a Draco ou mesmo solo e em todos sempre tive ótima receptividade. As pessoas interagem, ficam curiosas, animadas, contentes em ver um autor nacional apresentando suas obras.

Foi um ano em que falei muito, ouvi muito e me emocionei. Foi o ano em que concluí e publiquei o último livro da Série Tempos de Sangue, o Ruínas na Alvorada.

E, apesar de todas as dificuldades, problemas e desgaste do nosso país, para mim, foi um ano memorável.

Obrigado por ficar junto comigo por essa jornada!

Até mais!