Renascimento

Fecho os olhos na mortalidade. Renasço imortal

Hão de perecer seus amores

Mas terá o poder para a morte revogar?

E assim cessar todas as dores?

 

Basta não sugar todo o vermelho elixir

E dar do seu próprio sangue

Para outro imortal surgir

Dei-lhe um presente, o maior dos presentes. Devolvi-lhe a vida e o ar em seus pulmões. Uma nova fúria nasceu em seu coração. Ela queria o meu beijo, então lhe dei o beijo da morte, mas não bebi todo o seu sangue raro. Restou o suficiente para uma semiconsciência, para o momento de redenção.

– Eu posso acabar com o seu sofrimento e dor – falei com ela em meus braços.

Ela abriu os olhos, no limiar entre os dois mundos e sussurrou sem pensar:

– Por favor, acabe com essa agonia…

Rasguei meu pulso com a unha e deixei-a sugar meu sangue imortal. Ela bebeu vorazmente, gemendo e me olhando com olhos verdes fulgentes. Era um prazer diferente, um prazer carnal e sem pudores.

Eu havia brincado de Deus.

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